sexta-feira, 2 de julho de 2010

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA EM “CAMPO”

Em alguns estádios é obrigatória a presença de ambulância
com médico em eventos com mais de 1.500 pessoas


A emoção de um gol num jogo decisivo gera tantos problemas cardíacos nos torcedores, que a Sociedade Brasileira de Cardiologia promove a pesquisa "Emoção e Coração na Copa do Mundo" para avaliar a variação dos batimentos cardíacos entre os torcedores durante os jogos da seleção brasileira no mundial.
Quatro hospitais com Unidade Coronariana participarão da pesquisa - no Distrito Federal, o Instituto Brasília de Arritmia (IBA) coordenará estudos que serão realizados no Hospital Brasília e no Hospital do Coração do Brasil. O total de eventos cardíacos do mês de maio e sua gravidade serão correlacionados com crises de arritmia, angina, infartos e derrames durante os jogos na África do Sul.
A única pesquisa até então existente aconteceu na Alemanha (Munique), na Copa do Mundo de 2006, denominado "Cardiovascular Events During World Cup Soccer". O levantamento analisou 4.279 infartos e mostrou que o risco de um ataque cardíaco ou outro problema cardiovascular em homens foi três vezes maior nos dias em que a seleção alemã jogou. Imagine o brasileiro conhecido pelo fanatismo no futebol? Considerando a paixão do brasileiro pelo futebol, a expectativa é que por aqui as ocorrências sejam ainda mais expressivas.

PREVENÇÕES
As emoções interferem bastante, de acordo com o cardiologista Mark Robson Oliveira. Segundo ele, os grandes avanços de emergências cardiológicas foram aprimorados e estão até hoje nos cassinos de Las Vegas (cidade do estado americano de Nevada). “Esses cassinos são tidos como excelência em atendimento médico de emergência cardiológica, pois são frequentados bastante por idosos, que fumam na maior parte das vezes, ingerem bebida alcoólica e comida salgada, com o queijo. Nesses ambientes, existem aparelhos desfibrilador, essencial nos primeiros instantes de parada cardiorrespiratória”, conta.
O médico acredita que na Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia deverá fazer algumas recomendações às autoridades para que os estádios de futebol, onde há grande aglomeração de pessoas de todas as idades, passem a ter um respaldo médico, prontos socorros e tudo que for necessário para salvar vidas.
Em alguns estádios Brasileiros o desfibrilador é lei. Desde 2005, locais com grande aglomeração instalados no Distrito Federal - como shoppings, estádios de futebol e teatros - são obrigados por lei a ter desfibriladores. “O equipamento é capaz de reverter paradas cardíacas sem maiores dificuldades para o operador”, explica o especialista.
“Já existe em São Paulo uma legislação que a partir de eventos com mais de 1.500 pessoas tem que ter uma ambulância com médico, independente do SAMU. Isso é lei em outras cidades brasileiras”, explica Mark. Ele afirma que a mesma lei já foi discutida na Bahia, mas ainda não se tem obrigação.
Por Williany Brito
Matéria publicada no Jornal Folha do Estado, no dia 04.07.2010)

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