segunda-feira, 24 de maio de 2010

CIGARRO MATA NOVE A CADA 10 BRASILEIROS

Durante muitos anos o tabagismo foi visto como um estilo de vida

A uma semana do Dia Mundial Sem Tabagismo, comemorado em 31 de maio, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e também do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o cigarro tem matado milhares de pessoas todos os anos no Brasil. Segundo estatísticas, de cada 10 brasileiros que morrem de câncer do pulmão, nove são fumantes e quem fuma reduz em cinco anos o tempo de vida.
Esses levantamentos mostram, ainda, que a idade média de iniciação dos brasileiros no vício do fumo baixou de 16 para 13 anos. Durante muitos anos o tabagismo foi visto como um estilo de vida, mas essa não é a realidade de hoje, muito pelo contrário, o fumante está ficando cada vez mais isolado socialmente por conta do seu vício.
O Brasil foi uma das primeiras nações a assinar a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, da Organização Mundial da Saúde. Há cinco anos a Convenção foi adotada no País.

TRATAMENTO PÚBLICO EFICAZ
O Brasil continua a colher frutos do Programa Nacional de Controle do Tabagismo. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), nos hospitais da rede pública, 40% dos pacientes que fazem tratamento para deixar de fumar conseguiram largar o cigarro. A quantidade de unidades de saúde do SUS, com estimativas e planejamento para realizar o atendimento para cessação de fumar, saltou de 923 em 2009 para 3.313 em 2010.
Hoje o tabagismo é um problema de saúde pública, que lota os hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) de todo o país. Segundo o Ministério da Saúde, ele é responsável direto por quase 50 doenças diferentes que provocam prejuízo anual de mais de R$ 358 milhões ao SUS com internações e tratamentos de quimioterapia e radioterapia.
A oferta do tratamento para cessação de fumar na rede pública de hospitais faz parte do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, implementado e coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer há quase 25 anos. Em 2001, o INCA promoveu um consenso com profissionais e entidades sanitárias sobre as melhores práticas para tratamento da dependência da nicotina. O documento passou a nortear as ações de abordagem do fumante, inicialmente nas unidades de alta complexidade do SUS, a partir de 2002 (Portaria SAS/ MS n°1575/02), e dois anos mais tarde na rede de serviços de atenção básica e de média complexidade do SUS (Portarias GMS/MS n°1035/04 e SAS/MS n°442/04).
Ao fim de 2006, o sistema de informação registrava um total de 198 unidades de saúde do SUS com tratamento para deixar de fumar em 76 municípios. Até junho de 2009, o número de municípios aumentou para 358 e o de unidades de saúde com o serviço em funcionamento passou para 923.

LEIS DE COMBATE
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a crescente publicação de leis estaduais e/ou municipais, banindo o ato de fumar em recintos públicos fechados a partir de 2008, e o número cada vez maior de fumantes que procuraram tratamento para deixar de fumar na rede municipal de saúde contribuiu para aumentar em 266% a quantidade de municípios com hospitais realizando o atendimento ao fumante em 2010. Atualmente, são 1240 cidades brasileiras com mais de 3.300 unidades de saúde públicas.
Qualquer fumante que queira se livrar da dependência do cigarro pode procurar um hospital credenciado da rede pública para se tratar. Basta ligar para o Disque Saúde (0800 61 1997). Através desse número, obtém-se aconselhamento para deixar de fumar de forma gratuita por telefone e informações sobre unidades de tratamento em funcionamento na rede pública de saúde.

Por Williany Brito (com informações do Ministério da Saúde)
(Matéria publicada no Jornal Folha do Estado, no dia 23.05.2010)

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