sexta-feira, 2 de abril de 2010

60% SÃO FAVORÁVEIS À DOAÇÃO DE ÓRGÃOS NO BRASIL, MAS AINDA É INSUFICIENTE

Coordenadora do CIHDOTT do HGCA afirma que de 2009
até março deste ano não foi realizada nenhuma doação
As ações têm mantido o estado de São Paulo na liderança
de doações e de cirurgias realizadas

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que 60% dos brasileiros são favoráveis à doação de órgãos. No ano passado, o país registrou número recorde de doadores de órgãos: foram 1.658, o que representa um crescimento de 26% em relação a 2008. Apesar de o país registrar esse número de doadores de órgãos, o crescimento ainda é pequeno para atender à demanda de mais de 60 mil brasileiros que esperam por um órgão. Na Espanha, por exemplo, o número de doadores chega a 36 ppm (partes por milhão). Nos Estados Unidos, o índice é de 26 ppm.
Fernanda Cláudia Silva, enfermeira e coordenadora da Comissão Intra Hospitalar de órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), de Feira de Santana, conta que de 2009 até março deste ano não foi feita nenhuma doação na unidade. “Em 2008, dos 15 diagnósticos confirmados de morte encefálica, seis famílias autorizaram a doação de múltiplos órgãos. Um número ainda muito abaixo do ideal. Por isso a necessidade das campanhas educativas, na tentativa de mostrar para a comunidade a importância da doação”, diz a coordenadora.
Ela atribui a diminuição de doadores à questão cultural. “Ainda há um mito quando se fala em doação de órgãos. Muitas pessoas ainda desconhecem o procedimento, por isso não concordam com a captação de órgãos. Geralmente, elas acreditam, erroneamente, que só há morte quando os órgãos param de funcionar. Mas, às vezes, nos deparamos com o coração batendo, mesmo com diagnostico de morte do individuo”, explica a coordenadora
Mas ela salienta que a doação é um ato “altruístico, e que cada pessoa tem o direito do familiar doar ou não. Nós viemos de uma cultura que sempre achando que a vida é dentro do coração. Não é fácil para um ente querido compreender isso. Envolve todo um sentimento.
Com objetivo de melhorar a capacitação de profissionais da área de saúde, para identificar possíveis doadores e facilitar o acesso a exames que confirmam a morte encefálica em tempo hábil, o HGCA elabora do dia 4 de maio a 31 de agosto aperfeiçoamento para os seus funcionários. “Os profissionais devem entender todo o processo de funcionamento que norteia o transplante de órgãos. Desta forma, pode haver o aumento no número de doadores”, afirma a Fernanda Cláudia.

AUTORIZAÇÃO
Existem instituições particulares em Feira de Santana que realizam transplante de córnea, como Unimed e o São Matheus. Já HGCA, apesar da estrutura, ainda não tem condições de fazer transplante de órgãos (coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas e intestino) e tecidos (córnea, medula óssea, pele, osso, tendão e valva cardíaca), mas faz todo procedimento para que as pessoas se tornem doadoras.
Desde março de 2008, o Clériston Andrade obedece à portaria de número 1.752 de 23 de setembro de 2005, que determina a constituição de Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante em todos os hospitais públicos, privados e filantrópicos. O hospital trabalha com doadores falecidos, identificação do possível doador, diagnostico da morte encefálica, manutenção do potencial do doador e captação – quando a família autoriza.

Por Williany Brito
(Matéria publicada no Jornal Folha do Estado, no dia 28.03.2010)

1 comentários:

Ministério da saúde disse...

Williany Brito,

Incentive as pessoas a fazer doação de órgãos. Para ser doador o principal passo é avisar a família.
A doação de órgãos é um ato de solidariedade e amor ao próximo. Saiba mais sobre o tema aqui: http://bit.ly/cHLx34.

Para mais informações:
fernanda.scavacini@saude.gov.br
Ministério da Saúde

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